terça-feira, 26 de abril de 2016

Crepúsculo dos Deuses - Sunset Boulevard, 1950.

Sunset Boulevard, 1950. 


Seria difícil dizer que este clássico tão amado e aclamado pelos fãs de cinema não é um dos meus favoritos. Com um roteiro bem elaborado, direção impecável, trilha sonora esplêndida, e acima de tudo com atuações memoráveis e inigualáveis, a obra-prima de Billy Wilder torna-se melhor com o passar dos anos. 

O filme do gênero noir, começa do fim, levando o expectador a ficar mais e mais intrigado com a estória. Joe Gillis (brilhantemente interpretado por William Holden), um roteirista de filmes B, narra sua vida seis meses antes de ser assassinado - sim, curiosamente, todo o filme é contado a partir do ponto de vista do morto.  

Em busca de 200 dólares para pagar o documento de seu carro, a fim de resolver suas pendências com os ''tiras'', Joe encontra asilo numa antiga e luxuosa mansão em Hollywood, mais precisamente na famosa Sunset Blvd. Retiro de grandes artistas dos velhos tempos, Joe se esconde na velha mansão, que como descrita por ele, se parece com um enorme e velho elefante branco. Mas, para a surpresa de Joe, é lá que vive uma das maiores estrelas do cinema mudo, Norma Desmond (ARRASADORAMENTE interpretada pela magnífica Gloria Swanson), que fizera muito sucesso no passado, mas que agora, com o som e o technicolor, fora para sempre esquecida dos estúdios e do público.

Na ilusão de que pode voltar a brilhar - Há uma antológica cena no filme, em que questionada por Joe sobre seu magnetismo para  à indústria cinematográfica, Norma nos dá uma das mais celebres frases dos cinema: ''Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos''. -, Norma, junto com o seu fiel mordomo e maior fã, Max (Erich Von Stroheim), fazem com que Joe viva na mansão para trabalhar um ridículo roteiro de ''Salomé'', totalmente escrito por Norma, crendo que esta será a ''obra-prima'' que a levará de volta ao sucesso.

Durante esse período, Norma, já sozinha e esquecida, se apaixona por Joe. Mas o que era apenas para ser uma simples paixão, tornasse uma louca obsessão, resultando numa das tragédias passionais mais memoráveis do cinema.
 
Não é exagero dizer que Sunset Boulevard é uma das maiores obras cinematográficas já produzidas, tampouco dizer que a atuação de Gloria Swanson, uma belíssima atriz da década de 1920s que estava há oito anos afastada das telas é uma das melhores atuações que já se viu. 

O roteiro brilhantemente elaborado e a direção mais do que competente de Billy Wilder, nos leva a conhecer uma face sombria de Hollywood. Uma Hollywood hipócrita e desprezível, tanto com o público como para com seus antigos astros. 

Além disso, Sunset Blvd é um dos primeiros filmes a tratar sobre problemas psiquiátricos. Não focando exatamente no tema, mas sabemos, ao decorrer da fita, que Norma sofre de problemas mentais gravíssimos, problemas omitidos por Hollywood, problemas que, cedo ou tarde iriam causar-lhe grandes problemas.

A personagem de Swanson é completamente obcecada por si mesma. Incrédula com a ideia de que o sucesso e a juventude ficaram no passado, ela, com a ajuda de seu ex marido, ex empresário, amigo, e agora fiel mordomo e escudeiro Max, mantém a fantasia de que ela ainda é um sucesso, chegando até mesmo a lhe enviar flores e cartas com fotos para que ela mesma possa autografar. 
Em Joe ela se vê novamente jovem, no auge da fama, o que faz gerar essa paixão doentia por ele. 

Anos mais tarde tivemos ''O que Terá Acontecido a Baby Jane?'', que é bastante semelhante a Sunset Blvd, tendo também uma protagonista obcecada por si mesma e crente que voltará ao sucesso.

Porém, ao contrário de Baby Jane, não há um mistério que justifique a doença mental da personagem. O motivo da doença mental de Norma é simples: ela não sabe lidar com o envelhecimento, menos ainda com o esquecimento.

O filme aborda a falta de consideração com esses grandes astros, a decadência (na minha opinião, o cinema melhorou muito, mas muiiiito mesmo depois dos anos 20, mas não na da personagem) dos filmes e, de certa forma, a alienação do público no novo, despertando o desinteresse no antigo, naquilo que foi essencial para a construção do presente e do futuro.

Buster Keaton e dentre outros antigos atores, assim como o maravilhoso diretor Cecil B. DeMille fazem participações no longa. Norma, em determinada cena, se caracteriza como Chaplin, novamente homenageando a saudosa década de 1920 e seus filmes em preto e branco, mudos, mas que tinham algo a mais a oferecer. 

William Holden se saiu maravilhoso como o gigolô Joe, sendo indicado ao Oscar de Melhor Ator, assim como Max von Stroheim no papel do fiel Max e Nancy Olson no papel da interessada e ambiciosa analista de filmes que sonha em ser uma famosa escritora.

A direção estupenda dá ao público uma visão mais ampla dos acontecimentos, assim como a maravilhosa trilha sonora que nos leva ao ápice do suspense.

Sunset Boulevard é uma das maiores obras-primas do cinema. Um filme que merece ser visto e revisto muitas vezes por todos os amantes da sétima arte.

Abaixo, confira o trailer de Sunset Boulevard: 


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A Porta de Ouro, 1941.

                                                   A Porta de Ouro

E dia primeiro de julho de 2016, a maior lenda viva do mundo completa seus cem e bem vividos anos de idade.
Sim, meus caros, estou falando dela mesma, a inigualável Olivia de Havilland.

Hoje vou falar sobre um dos melhores filmes da carreira de Miss de Havilland, A Porta de Ouro.

ATENÇÃO! SPOILER. SE NÃO GOSTA, NEM CONTINUE LENDO.


A história começa quando Georges Iscovescu chega aos estúdios da Paramount Pictures para falar com seu 'amigo' diretor, com o intuito de vender a ele a história de sua vida por apenas quinhentos dólares.
Desinteressado e com pressa, o diretor se recusa a ouvir a história, mas Georges começa a contá-la, prendendo a atenção do mesmo.
Georges é estrangeiro, fora um dançarino de sucesso, mas agora está falido, e tem como objetivo apenas uma coisa: entrar legalmente nos EUA para se reerguer.
Mas, como nem tudo na vida é fácil, ele passa cinco meses numa cidadezinha do México, que faz fronteira com a Califórnia, esperando ansiosamente para que tenha seu visto liberado. Como o tempo de espera varia dentre cinco e oito anos, Georges começa a entrar em desespero, quando encontra sua ex-parceira de dança e amante Anita, que dá a ele uma grande, mas difícil ideia: casar-se com uma  americana, assim, ele terá seu visto em apenas quatro semanas, e depois poderá se divorciar e tocar sua vida nos EUA.
Como era feriado de 4 de julho, a pequena cidadezinha mexicana estava sendo muito visitada por americanos, que queriam 'escapar' das tradicionais festividades do feriado e aproveitarem as touradas e etc.
Era fácil encontrar uma americana lá, mas não uma solteira. Em meio à sua busca, Georges encontra-se acidentalmente com Emmy Brown, uma professora simples, bonita e um pouco tímida, após um de seus alunos atirarem bombinhas em Georges. Em meio disso, os dois acabam discutindo por direitos nacionais, e Emmy acaba batendo o carro que pegara emprestado da escola para levar seus alunos ao passeio.
Voltando à busca de Georges, podemos dizer que ele não obteve nenhum êxito, até que ele reencontra com Emmy, mas desta vez, ela estava numa oficina mecânica em frente ao hotel Esperanza, esperando que seu carro fosse consertado e tentando fazer seus alunos ficarem quietos.
Em meio a indiretas, Georges descobre que a jovem professora não é casada, que é apenas uma professorinha de Asuza, uma cidadezinha do interior da Califórnia, cuja as expectativas de se casar algum dia são iguais a zero.
Vendo que aquela seria a sua grande chance, Georges arma um plano para prender Emmy na cidade por mais algum tempo, obrigando-a a dormir no mesmo hotel que ele, juntamente com seus alunos. E é nessas poucas horas que Georges consegue dar o golpe na garota, seduzindo-a com palavras bonitas, e casando-se com ela na manhã seguinte.
Porém o carro de Emmy fica pronto e ela tem de partir, mas promete esperar ansiosamente as quatro semanas restantes para que seu amado possa entrar nos EUA e lá, acredita ela, serem felizes na pequena cidade de Asuza.
Três dias após a partida de Emmy, Georges e Anita comemoram o golpe, que não passa despercebido por um agente da imigração, que, como manda à Lei, deve assegurar-se de que nenhuma jovem ou jovem americano caia no golpe do falso casamento.
Enquanto comemoram, Georges avista o que ele menos queria ver: Emmy chegando no hotel.
A moça, feliz da vida, diz que ganhou uma semana de férias da escola, pelo fato de ter se casado. Desesperado com a ideia de que seu golpe possa ser descoberto, ele a leva para uma viagem de ''lua-de-mel'', no interior do México. Visitam um pequeno vilarejo, onde está ocorrendo a festa dos ''recém-casados'', e, conforme manda a tradição do local, o casal - mesmo sendo americano-, participa de uma brincadeira: chacoalhar um pé de oliveiras. O número de azeitonas que cair representa o número de filhos que o casal terá. Caídas três, Georges logo percebe que Emmy está cada vez mais apaixonada e mais iludida com esse casamento.
Como não tinham um lugar para dormir, improvisaram o carro, onde deveriam passar suas núpcias, mas Georges, com medo de  desgraçar ainda mais a moça com o falso casamento e ficar  preso à Emmy por mais um tempo, finge um pequeno acidente, o que impossibilita as núpcias do casal.
Na manhã seguinte eles vão para outro local, desta vez uma praia. Lá, naquele dia bonito e ensolarado, Emmy decide dar um mergulho, e quando Georges a vê brincando na água tão pura e ingênua, não consegue resistir aos encantos da moça.
É o último dia das férias de Emmy, e ela terá de voltar à Asuza, mas quando chegam no hotel para buscar as coisas de Emmy, Georges confessa à sua amante, Anita, que se apaixonou por Emmy e que não irá se separar dela. Revoltada, Anita conta toda a verdade à Emmy, que mal teve tempo para aceitar os fatos, quando o chefe da imigração a chama e a questiona, a fim de descobrir o golpe de Georges. Como ela o ama muito, nega qualquer acusação contra seu marido, deixando-o livre de suspeitas, mas após isso, ela pega suas coisas e vai embora, dizendo que nunca mais quer ver Georges.
Ele fica desolado, e ao mesmo tempo, preocupado, pois como ele mesmo diz ''enquanto meu coração batia acelerado, havia, na estrada, pés muito mais acelerados e um coração nervoso.''
Bom, já dá pra imaginar o que houve, não é? Ainda incrédula com as mentiras de Georges, Emmy fica nervosa e acaba se distraindo em meio a estrada, quando cai em um precipício e capota o carro diversas vezes.
Georges é informado do acidente de sua esposa, que se encontra entre a vida e a morte em um hospital de Los Angeles. É aí que ele se dá conta do quanto a ama, e, em desespero, ele atravessa ilegalmente a fronteira, sendo perseguido pela Polícia Federal e causando um grande alarme.
Chegando no hospital, Georges encontra com a mãe de Emmy e o diretor da escola em que ela leciona, e fica sabendo do quão bem falado ele fora pela moça.
O médico, entretanto, não dá mais esperanças, até que Georges entra no quarto e segura nas mãos de Emmy, que, mesmo estando inconsciente, consegue perceber que quem está ali é Georges, e ele, por sua vez, ajuda sua amada a se recuperar. Após uma conversa com o diretor, Georges necessita devolver os 500 dólares que Emmy lhe deu, dinheiro este que ela estava guardando para se pós-graduar.
E é aí que ele procura o diretor de cinema, o que nos leva de volta ao começo.
Mas, caros leitores e espectadores, nossa história não termina aí. Ele consegue sim os quinhentos dólares, mas é levado de volta ao México, escapando de um processo federal, devido as circunstâncias que o levaram a atravessar a fronteira ilegalmente.
É algum tempo depois, quando ele sequer tem notícias de Emmy e sofre com a sua ausência, que ele recebe a notícia de que seu visto fora aprovado e que ele pode finalmente entrar nos EUA como cidadão americano. E sabem do que mais? Quem lhe trás esta grande notícia é Emmy, já recuperada do acidente e esperando por seu amado no portão da Embaixada Americana, concretizando assim o seu sonho: viver com Georges na casinha que sua mãe arrumou para eles, com as cortinas floridas e ''criando azeitonas''.

Sobre o filme...
Bem, vocês perceberam que é um drama, um romance como sempre vemos, certo? Certo. Mas este filme, mesmo sendo um pouco clichê, nos brinda com uma ótima direção, a impecável fotografia em preto e branco e com atuações extraordinárias, destaque, é claro, para a de Olivia de Havilland, que fora indicada ao Oscar de Melhor Atriz por sua performance neste filme.
Charles Boyer também esteve bem, e Paulette Goddart, quem diria que ela iria nos deslumbrar com a ótima interpretação da vilã Anita? Outros quesitos importantes no filme é a crítica ao sistema americano de imigração e as dificuldades que muitas pessoas necessitadas do auxílio americano passam por não obterem o visto com mais antecedência.
Não vejo muitos pontos negativos neste filme, o que me fez dar a ele uma nota cinco estrelas nos sites de cinema, como o Filmow, por exemplo. Olivia de Havilland é, de fato, uma das melhores atrizes que esse mundo já viu, e hoje, com noventa e nove anos, prestes a completar seu centenário em julho deste ano, é considerada a maior lenda viva do cinema, sendo homenageada de todas as maneiras possíveis e sempre sendo lembrada por sua beleza, seu talento e sua doçura nas telas.

Essa é a a primeira postagem que faço sobre Olivia neste blog, mas não a primeira que escrevo, e nem será a última. Ainda virá o ''Melanie Beyond'', que pretendo publicar no tão esperado primeiro de julho. Minha total admiração a essa atriz e mulher magnífica, que completará seus 100 anos cheia de saúde.


Obs: Infelizmente não há o trailer do filme no Youtube.

domingo, 29 de novembro de 2015

The Bad Seed - A Semente Maldita, 1956

 A Semente Maldita 



De aparência doce, modos perfeitos e olhar angelical, Rhoda (Patty McCormark),é capa das maiores atrocidades para conseguir o que deseja.

Christine (Nancy Kelly),  é uma mulher feliz e uma mãe zelosa, além de ser filha de um grande escritor criminalista, fato este do qual se orgulha. Mas, desde pequena, Christine sempre teve a suspeita de que fora adotada.

Certo dia, durante um piquenique na escola, um fatal ''acidente'' ocorre com Claude Daigle, um garotinho de oito anos, que falece após cair em um piér e se afogar.

Claude, coleguinha de sala de Rhoda, havia ganho a única medalha de ouro da escola, medalha esta que Rhoda desejava ter ganho.

Ao saber da notícia, Christine teme pelo trauma que sua filhinha ficaria, mas se surpreende ao ver a garota agir normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Após receber queixas sobre Rhoda, Christine acha, na gaveta de ''tesouros'' de sua filha, o que nunca gostaria de ter achado: a medalha de Claude.

Suspeitando que Rhoda tenha algum envolvimento com a morte do garoto, a mãe interroga a filha, que nega qualquer acusação.

O único que percebe o monstro que Rhoda é, é o zelador LeRoy, que é tão maldoso quanto Rhoda e conhece suas reais intenções, assim como ela as dele.

Vivendo com a desconfiança, Christine decide revirar seu passado e confirma, após muito insistência, que seu pai lhe diga toda a verdade: Richard não é seu verdadeiro pai. Ela foi adotada e veio de uma família terrível. Ela é filha de uma famosa assassina, Bessie Denker, cuja a mesma começou a assassinar pessoas na infância.

Juntando as peças deste quebra-cabeça, Christine percebe que Rhoda, a sua amada filha, é a verdadeira assassina de Claude. Após a garota confessar o crime, Christine também descobre que, há algum tempo atrás, Rhoda também assassinou uma idosa, apenas para ficar com um globo de neve, com um peixinho dentro.

Assim como Christine, LeRoy também sabe toda a verdade sobre esta terrível criança, mas acaba se dando mal, após brincar com a garota.

Temendo que algo de mal aconteça ao seu bebezinho, Christine toma uma medida drástica e brutal contra sua filha e a si mesma.


Em 1956 o tema ''criança assassina'' ainda era um tabu para a sociedade. Ninguém poderia imaginar que uma criança de oito anos seria capaz de tais atrocidades.

O livro ''A Semente Maldita'' foi um sucesso de vendas durante toda a década de 1950, até que finalmente foi levada às telas a história de Rhoda e Christine, sendo um dos maiores sucessos do ano e trazendo a primeira criança vilã do cinema, o que influenciou uma leva de filmes com vilões mirins, como A Órfã,  O Exorcista, A Aldeia dos Amaldiçoados, A Profecia e mais uma grande quantidade de filmes com essa temática.

Patty McCormak brilha como a malígna Rhoda, sendo indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por esse papel e arrecadando mais diversos prêmios, além da aclamação da crítica e o reconhecimento mundial.

Nancy Kelly também brilha, assim como todo o restante do elenco, porém, junto com Patty, a atriz Eileen Heckart, que interpretou a frustrada e bêbada mãe do finado Claude, também deu um verdadeiro show de atuação, tendo disputado com Patty McCormak o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante. Ambas não venceram o Oscar, mas Eileen ganhou o Globo de Ouro por sua atuação.

A Semente Maldita/ A Semente do Mal/ A Tara Maldita, é mais do que um filme. É uma obra-prima. É obrigatório para qualquer amante da sétima arte.

Curiosidades

Alfred Hitchcok se negou a dirigir o longa.

Bette Davis manifestou interesse em interpretar Christine, porém a Warner decidiu manter o elenco original da peça da Broadway.

A canção que Rhoda toca no piano é a tradicional canção francesa infantil ''Au Clair de La Lune''.

Após este filme, Nancy Kelly dedicou-se apenas trabalhos no teatro e na televisão.

No final do livro, Christine morre e Rhoda sobrevive. Entretanto, devido as padrões da época, o final foi alterado, tendo Christine sobrevivendo ao tiro na cabeça e Rhoda sendo atingida por um raio.

A mãe assassina de Christine, Bessie Danker, foi inventada, mas todos as outras assassinas mencionadas no filme são reais.

O filme foi irregularmente batizado de ''A Tara Maldita'', no Brasil. O título bizarro foi mudado para ''A Semente Maldita/A Semente do Mal'', após seu lançamento em dvd.

Abaixo, confira o trailer de A Semente Maldita:





domingo, 6 de setembro de 2015

Marcelino Pão e Vinho - Marcelino Pan y Vino

Marcelino Pão e Vinho - Marcelino Pan y Vino, 1955.

O filme conta a singela historinha de Marcelino, um garotinho de cinco anos que vive fazendo travessuras no mosteiro onde mora com os doze frades que o criaram.

Em um povoado da Espanha, três frades pedem a permissão das autoridades locais para construírem um mosteiro em um determinado local da região.

Os três frades trabalham duro para conseguir construir o mosteiro, que, em pouco tempo já está funcionando, e agora com nove frades a mais.

O tempo passa, e, em um certo dia, o frade porteiro encontra um recém-nascido abandonado na porta do mosteiro. 

Os frades o acoelhem, e, como era o dia de São Marcelino, batizam a criança de Marcelino, e assim começa um extensa busca pelos pais da criança.

Perca de tempo. Os pais de Marcelino não foram encontrados, e ninguém quis ficar com o garotinho.

Os doze frades o criam, pretendem fazer dele um frade. 

Cinco anos se passam e Marcelino já é uma linda criança, robusto e muito ativo. E levado, também! 

Como as travessuras de Marcelino começam a fazer os frades perderem a cabeça - literalmente, é claro -, eles começam a castigar o menino com um certo tipo de rejeição, e impõem uma ordem ao pequeno menino: ''nunca suba aquela escada. Nunca! Lá tem um homem grandão que vai te levar embora para sempre. Para sempre!''.

Com medo, Macelino obedece a tal regra, mas, como a sua curiosidade é insaciável, ele decide subir as escadas, descumprindo com a ordem dos frades.

Mas, para a surpresa do garotinho, a única coisa que ele lá encontra é a imagem de Jesus Cristo crucificado e com uma coroa de espinhos. 

O menino, com toda a sua inocência, decide ficar amigo da tal ''imagem'', que ganha vida e conversa diariamente com o garoto.

Indignado com a situação que o seu ''novo amigo'' se encontra, Marcelino começa a levar para a imagem de Jesus um pedaço de pão e um cálice de vinho todos os dias. 

Jesus o batiza de ''Marcelino Pão e Vinho''. 

Em uma dessas conversas com Jesus, Marcelino pergunta à Ele aonde está a sua mãe e a mãe de Jesus. O ''novo amigo'' então explica para o garoto que ambas estão no Paraíso, e que são muito bonitas e boas.

O garotinho pede para que Ele o leve para conhecer as duas. Pedido atendido. Jesus leva Marcelino para conhece-las, fazendo jus ao que os frades disseram ao garoto: ''o homem grandão vai te levar para sempre. Para sempre!''

A partir deste dia, Marcelino tornasse um santo para o povoado, que anualmente realiza uma festa para comemorar o milagre de Marcelino Pão e Vinho.

O interprete de Marcelino, o já falecido Pablito Calvo,  transmitiu uma inocência tão terna neste filme, que chega a ser impossível não querer entrar dentro da tela da televisão e pegar o Marcelino para poder apertar aquelas bochechas gostosas! 

O filme todo é muito inocente, não há malícia, é perfeito tanto para crianças como para adultos. 

Um filme agradável, bem dirigido, com ótimas atuações e uma bonitinha trilha sonora, que inclui a mundialmente famosa ''Canção de Marcelino'', que, aqui no Brasil ganhou uma versão fofíssima, interpretada pela cantora Wilma Bentivegna.

Marcelino Pão e Vinho foi agraciado com muitos prêmios e foi transformado em um desenho infantil de mesmo nome, que foi um grande sucesso.

Abaixo, confira o trailer de ''Marcelino Pão e Vinho'':

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A Flor do Pântano - Tammy and the Bachelor

A Flor do Pântano - Tammy and the Bachelor

Que a Debbie Reynolds era uma gracinha, todos nós já sabemos. Mas o que não sabíamos, é que a garotinha fofa, baixinha e de voz angelical, poderia ser mais encantadora ainda.

Sim, meus queridinhos, o filme sobre o qual irei falar é o fofíssimo A Flor do Pântano, produção de 1957.

Tammy (Debbie Reynolds), é uma garota de 17 anos muito fofinha, que vive com seu avô e sua cabrinha Nan, no pântano.

Em um dia comum na vida de Tammy, o avião de Pete (Leslie Nielsen) cai no pântano, e Tammy e seu avô o salvam.

Pete passa dez dias na casa de Tammy, sendo muito bem cuidado por ela e por seu avô. Mesmo com poucos recursos, Tammy e o avô fazem com que Pete se cure rapidamente, mas, ao final destes dez dias, Tammy começa a desenvolver mais do que um sentimento de amizade por Pete.

Após a ida de Pete, alguns dias depois, o avô de Tammy é preso pelas autoridades locais, acusado de fazer licor de milho ilegalmente.
O avô, preocupado com a neta, diz que, antes de Pete partir, ele havia prometido cuidar de Tammy, caso acontecesse algo.

Tammy parte para a casa de Pete, levando consigo a sua única amiga, a cabrinha Nan.

Ao chegar na casa do bonitão, a garota é acolhida por ele e seus familiares, que acreditam que o real motivo da ida de Tammy para a cidade, foi devido ao ''falecimento'' de seu avô.

Tammy, na mais pura inocência, conta que, ao invés de estar morto, como todos pensavam, seu avô está na cadeia.

Chocada, a mãe de Pete começa a tratá-la com um certo desprezo, fazendo com que a menina trabalhe e ajude nos preparativos para uma festa que acontece anualmente na região.

Tammy não reclama, pelo contrário, ela adora trabalhar, principalmente quando o assunto é festa, coisa que ela nunca viu na vida.

Mas a convivência com Pete faz o amor de Tammy crescer a cada dia mais, o que nos rende uma linda cena musical no filme, onde Tammy canta uma musiquinha absurdamente fofa, falando de seu amor por Pete.

Pete, porém, esta noivo de Bárbara, uma moça rica e sem a carisma e inocência de Tammy. Aliás, a inocência de Tammy acaba ''encantando'' um paquerador amigo de Pete, que leva a mocinha para passear, mas com segundas intenções.

Percebendo que Tammy, devido a sua inocência, poderia ser mais uma conquista de seu amigo, Pete vai buscá-la, e depois leva a garota para tomar sorvete na cidade, e mostra a ela todas as tecnologias da época, as lojas e as roupas chiques, coisas que, na mente de Tammy, são estranhas.

Na casa de Pete, Tammy é constantemente repreendida por sua falta de educação, dizendo coisas que não convêm serem ditas. Mas não é por maldade que Tammy faz isso. Ela não estudou, tudo o que sabe aprendeu com o avô, e além disso, foi criada no pântano, não sabe os costumes e os modos da cidade grande.

Chega o dia da festa, e Tammy conquista a todos os visitantes, fazendo todos pararem para escutar sua historinha doce e sem malícia, o que faz da festa um grande sucesso.

Os dias passam, e Tammy se sente cada vez mais rejeitada por Pete. A garota pega sua cabrinha e parte de volta ao pântano.

Ao saber da partida de Tammy, Pete finalmente se dá conta de que ama Tammy, e parte em busca do seu verdadeiro amor.

Aquela moça evoluída e com a voz perfeita de Cantando na Chuva, que em 1952 encantou o público, volta a nos presentear com mais uma interpretação magnífica e com a sua doce voz. A Flor do Pântano foi um grande sucesso da época, e a música tema, cantada por Debbie (Tammy is in Love), fez com que o vinil da trilha sonora do filme vendesse milhares de cópias, e consolidou Debbie como uma das maiores vozes da época.

Leslie e Debbie não possuem muita química, pois ela parece ser a irmã mais nova dele, não a ''namorada''. Mas quando se juntam, o público fica fascinado pelas interpretações simples e encantadoras, que fez com que esse filminho ''água com açúcar'' se tornasse um verdadeiro sucesso.

A Flor do Pântano não é um grande filme, mas vale a pena ser visto e revisto várias vezes, principalmente por todos os que adoram uma comédia leve, sem malícia e apaixonante.

Abaixo, confira o trailer de A Flor do Pântano:





Obs: o filme está disponível legendado no Youtube. Confira:



Um Caminho para Dois - Two For The Road

Um Caminho para Dois - Two For The Road

Todos já sabem que eu sou fã da Audrey Hepburn, que ela é a minha atriz preferida e etc., mas esse não é o único motivo que me faz escrever sempre sobre ela.


A questão é que praticamente todos os filmes de Miss Hepburn são fantásticos, assim como ela dá um show de interpretação em todos eles. 

O filme de hoje merece uma posição de destaque entre os filmes mais românticos já produzidos, não só por sua história realista, mas pelas maravilhosas interpretações de Audrey Hepburn e de seu co-estrela, Albert Finney. E sem contar a bela canção de Henry Mancini, que me faz chorar todas as vezes que ouço. A melodia é fantástica, e a letra é um retrato fiel do casamento de Joanna e Mark.

O filme começa sem 1967, com o casal Joanna (Audrey Hepburn) e Mark (Albert Finney) embarcando em uma viagem de avião ( e posteriormente de carro), onde eles relembram vários momentos que passaram juntos, antes e durante o casamento. 

Joanna é uma jovem tímida -supostamente virgem, como sugere Mark, alegando que ele tem um dom especial para reconhecer virgens-, que viaja junto com outras garotas do coral em que faz parte. Em uma dessas viagens, o carro onde elas estão quebra, e então aparece o boêmio arquiteto Marcus Wallace/Mark (Albert Finney), um rapaz sonhador que passa os dias viajando pelo país à procura de chances, e também aproveita para fotografar diversas arquiteturas.


Para o azar das garotas, todas pegam catapora, exceto Joanna, que parte em viagem junto com Mark. A princípio, Mark não gosta muito da ideia de tê-la como companheira de viagem, e os dois chegam até a se separarem, durante uma carona e outra, mas se reencontram em seguida.

Durante o tempo em que viajam, os dois passam por diversos momentos cômicos e românticos, até que Mark se vê apaixonado pela ''garota tímida'' e a pede em casamento.

Mas esse casamento foi se desgastando com o tempo. Brigas, traições por ambas as partes, a gravidez e o nascimento da filha, Caroline, foram elementos fortes que fizeram com que o casamento de Joanna e Mark fosse se desgastando pouco a pouco.

O filme, embora se passe em 1967 (ano de seu lançamento), mostra diversas etapas da vida do casal, desde o dia em que se conheceram, a viagem com um casal de amigos e sua filha, a gravidez e o nascimento de Caroline, as traições, as viagens seguintes e etc. Contudo, o filme não especifica exatamente as datas, mas o cabelo e o figurino de Audrey estão sempre mudados nos ''flashbacks'', o que faz com que o público tenha uma noção de tempo. Mark, porém, continua o mesmo.

Stanley Donen, um dos mais famosos diretores daquela época e um gênio cinematográfico, fez de Um Caminho para Dois um de seus melhores filmes. Uma trama simples, mostrando a vida de um casal em conflito, ao longo dos anos e como superaram isso. 

Os diálogos são fáceis, ora cômicos, ora românticos, sarcásticos ou cínicos. 


A doce Audrey Hepburn, a queridinha número um do público, desde a sua estreia em A Princesa e o Plebeu, em 1953, ficou hesitante em aceitar o papel de Joanna, devido as francas cenas de sexo, os palavrões e a infidelidade. Audrey temeu perder a admiração de seu público, que sempre a mantiveram como a terna princesa Ann, como a garota que nunca perderia o encanto, a incapaz de falar um palavrão ou fazer qualquer coisa errada. 

A personagem tem muito a ver com sua interprete, exceto pelas atitudes pouco admiráveis e a infidelidade. Na época em que o longa foi filmado, o casamento de Audrey com o ator Mel Ferrer já estava muito desgastado, passando por uma crise terrível, o que fez com que Audrey desenvolvesse um affair com o seu co-protagonista, Albert Finney.

''Quando Albert chegava, a senhorita Hepburn imediatamente abria um enorme sorriso. Ela ficava feliz perto dele, e ele perto dela. Nunca ela fora tão feliz em uma filmagem. Albert tinha o poder de alegra-la, de fazê-la esquecer seus problemas.'' - Relato de um dos membros da equipe de produção do filme.

Entretanto, o romance dos dois durou apenas durante as filmagens. Em 1968, Audrey e Mel Ferrer se divorciaram. 

Mas voltando ao assunto, que se refere justamente as atuações, Albert Finney esteve excelente, porém um pouco imaturo demais no papel de Mark. 


E, como eu citei logo no início, a trilha sonora de Henry Mancini é um show à parte. A melodia é doce, delicada, romântica e comovedora, um retrato mais do que perfeito da vida do casal Joanna e Mark Wallace. Não tem como não se apaixonar. 

Um Caminho Para Dois é um filme excelente, com um bom roteiro, uma boa direção, uma trilha sonora fantástica e atuações ótimas, destacando principalmente a de Audrey Hepburn, é claro.

Um filme que não pode deixar de ser visto pelos fãs da eterna Bonequinha de Luxo, e pelos eternos apaixonados. 

Curiosidades

Audrey Hepburn só aceitou o papel depois de muita insistência de Stanley Donen.

Audrey Hepburn tinha hidrofobia, o que dificultou suas cenas em uma piscina.

Este filme é primeiro em que Audrey teve de ficar nua. Entretanto, as cenas foram censuradas e nunca chegaram aos cinemas.

Henry Mancini considera o tema de Two for the Road a sua melhor obra.

A Academia Cinematográfica ficou em dúvida se indicava Audrey pelo papel de Joanna ou pelo de Suzy, sua personagem em ''Um Clarão nas Trevas''. 

Durante as filmagens, o casal de atores protagonista tiveram um breve affair,
Abaixo, confira o trailer de Um Caminho para Dois:



segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Ponte de Waterloo - Waterloo Bridge

A Ponte de Waterloo

Olá, queridos leitores.

Depois de dois meses sem postar aqui, finalmente arranjei um tempinho para poder falar de um filme lindo e emocionante, que conta com atuações
divinas e músicas belíssimas.

Sabem qual é? A Ponte de Waterloo, de 1940.

Sem sombra de dúvidas A Ponte de Waterloo foi um dos poucos filmes que conseguiu me comover a ponto de me fazer chorar.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Roy, um soldado que está de partida encontra acidentalmente com a bailarina Myra, uma linda jovem que não espera muito da vida.

Roy ajuda Myra a se esconder de um bombardeamento, e instantaneamente se tornam amigos. Myra o convida para vê-la dançar na noite em questão, porém Roy diz a ela que não poderá ir.

Mas, para a surpresa de Myra, ela vê Roy na plateia, e este lhe envia um bilhete para que possam se encontrar mais tarde.

Entretanto, o bilhete vai parar nas mãos da rigorosa professora de Myra, que a proíbe de se encontrar com  Roy. Mas com a ajuda de sua grande amiga Kitty, Myra consegue se encontrar com Roy, e nessa mesma noite eles se apaixonam.

Na manhã seguinte, em pleno um dia chuvoso, Roy aparece até o local onde Myra vive com suas amigas e a pede em casamento. Como Roy está de partida, quer se casar imediatamente, porém não é possível.

Roy parte e deixa Myra com a promessa de voltar e se casar com ela, e deixa sua mãe para que cuide de Myra.

Mas, no dia em que Myra vai conhecer a mãe de Roy, ela se depara com um jornal que conta sobre a notícia da morte de Roy. Desolada, Myra tenta esconder da mãe do rapaz a verdade, porém só faz com que ela tenha uma má impressão, e deixando Myra só.

Despedida do emprego e passando fome, Myra não vê outra alternativa senão se prostituir.
O tempo passa, e quando Myra vai à estação atrás de novos clientes, se depara com Roy saindo de um trem.

Espantada em vê-lo, Myra fica feliz em reencontrar o seu grande amor.

Eles então planejam se casar o quanto antes, mas Myra se sente envergonhada pelo seu passado e não tem coragem de contar a Roy o que fizéra para sobreviver.
Desiludida e com medo de perder o amor e o respeito de Roy, Myra o deixa e volta para Londres, onde comete suicídio, deixando Roy para sempre desolado.

Um ano após o estrondoso sucesso de ''E O Vento Levou'', Vivien Leigh surpreende mais uma vez o público com tamanhã beleza e atuação impecável, fazendo de A Ponte de Waterloo um dos melhores filmes daquele ano e um clássico a ser lembrado.

Já Robert Taylor também deu um verdadeiro show ao interpretar Roy, pois diferente dos personagens anteriores de Taylor, Roy era o mais maduro e cativante.

A fotografia em preto e branco é excelente, os cenários são bem feitos e a trilha sonora é um show à parte.
É emocionante ouvir Roy se lembrando de seu grande amor ao som de ''Farewell Waltz''.

A Ponte de Waterloo não é daqueles clássicos que marcaram época, mas vale a pena ser visto e resvisto várias vezes, não só pela história cativante, mas também pelas atuações espetaculares e para comprovar que Vivien Leigh é muito além da Scarlett O'Hara.

Curiosidades

Mesmo sendo um astro conhecido pelo público antes de Vivien Leigh, Robert Taylor fora creditado em segundo lugar, pois o estúdio achou que colocando o nome de Vivien em destaque, devido ao estrondoso sucesso de ''E O Vento Levou'', atrairia mais o público.

Vivien Leigh alegou em diversas entrevistas que ''A Ponte de Waterloo'' era o filme que mais gostou de fazer, assim como Myra era sua personagem preferida. Assim também alegava Robert Taylor, quando questionado sobre seu filme e personagem predileto.

Laurence Olivier esteve cotado para dar vida ao personagem Roy, porém o papel acabou ficando com Robert Taylor.

Vivien Leigh e Robert Taylor já haviam atuado juntos em 1938, no filme ''Um Ianque em Oxford''.

Abaixo, confira o trailer de ''A Ponte de Waterloo'':